quarta-feira, dezembro 27, 2006

11 - A Comunhão entre os Discípulos

Nossa vida espiritual é profundamente afetada pelo tipo de sentimento que nutrimos acerca das pessoas com quem nos relacionamos. A vida emocional do ser humano é sobremodo complexa, e por isso mesmo, deve ser tratada com cuidados redobrados.
Se não tivermos uma vida emocional bem alicerçada na Palavra, nossos relacionamentos serão afetados, impossibilitando-nos de cultivar amizades dura-douras e uma vida espiritual plena.
Há uma palavra chave na Bíblia para compreendermos melhor tudo isso. Trata-se do termo COMUNHÃO ( Koinonia ).
O que é comunhão, afinal? É aquilo que une duas ou mais pessoas diferentes. Ter comunhão é o mesmo que ter algo em comum. Apesar das diferenças que temos, somos chamados à comunhão. E o que temos em comum? A fé em Cristo Jesus. E Paulo vai ainda mais longe, abrindo-nos o leque daquilo que é o fundamento da nossa comunhão. Ele diz que devemos procurar “guardar a unidade do Espírito no vínculo da paz”. E isto, porque “há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos” (Ef.4:3-6).
Não importa a criação que tenhamos recebido de nossos progenitores, ou o nível cultural que temos ou ainda a classe social a que pertencemos. O que nos une é infinitamente mais forte do que o que nos difere. Isso é comunhão.

· COMUNHÃO VERTICAL E HORIZONTAL

Existem dois tipos de comunhão apresentadas na Bíblia: a Comunhão Vertical e a Comunhão Horizontal, simbolizadas na Cruz de Cristo. A primeira é aquela que devemos ter com Deus, através de Seu Filho Jesus. A segunda é a que devemos ter com os nossos irmãos na fé. Na verdade, uma depende da outra.
Paulo afirma que Deus nos chamou “para a comunhão de Seu Filho Jesus Cristo nosso Senhor” (1 Co.1:9). Isso é comunhão vertical. No versículo seguinte ele diz: “Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos a mesma coisa, e que não haja entre vós divisões, para que sejais unidos no mesmo sentido e no mesmo parecer” (v.10). Veja que para Paulo, nossa comunhão com Deus estaria estreitamente ligada à nossa comunhão com os outros. Para ele, nossa comunhão com os irmãos não era apenas uma questão de fé. Por terem a mesma fé, deveriam também ter a mesma disposição mental, o mesmo parecer, caminhando na mesma direção.
João também faz um paralelo importante entre a comunhão com Deus, e a comunhão com os irmãos. Ele escreve:

“O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também tenhais comunhão conosco. E a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo (...) Se dissermos que temos comunhão com ele, e andarmos nas trevas, mentimos, e não praticamos a verdade. Mas se andarmos na luz, como ele na luz está, TEMOS COMUNHÃO UNS COM OS OUTROS, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado.” 1 JOÃO 1:3, 6-7.

Para que a nossa comunhão seja autêntica, devemos nos dispor a partilhar o que temos recebido de Deus. Tudo o que Deus nos dá, é visando o bem comum de toda a família da fé. Se falharmos em comunicar (compartilhar) aquilo que Deus nos confiou, estaremos dando as costas ao Corpo de Cristo, e negando-lhe o suprimento necessário.
Imagine se os olhos se negassem a enxergar, o que seria de todo o corpo? E se a boca se negasse a abrir para ingerir o alimento, o que seria do resto do organismo? Assim como há uma interde-pendência entre os mais diversos membros e órgãos do corpo humano, há também uma interde-pendência entre os membros do Corpo de Cristo. Ninguém poderá receber a energia que provém de Cristo para viver, se não estiver devidamente ligado ao Seu Corpo, que é a Igreja. Qualquer um que se afaste da Igreja, está fora da comunhão, e por isso, a vida de Cristo já não pode fluir através dele. É como um membro amputado, cujo fim é apodrecer-se.
Há uma iteração entre os membros do corpo. Cada um con-tribui para o bem estar do resto do corpo, desempenhando o seu papel. Cada um dá, e ao mesmo tempo, recebe. Isso é comunhão! Numa bela exposição deste assunto, Paulo diz que Deus nos colocou no Corpo de Cristo, e que cada membro deve ser honrado, “para que não haja divisão no corpo, mas antes tenham os membros igual cuidado uns dos outros. De maneira que, se um membro padece, todos os membros padecem com ele; se um membro é honrado, todos os membros se regozijam com ele” (1 Co.12:25-26). Desta maneira, servimos e honramos uns aos outros em amor.
Quando vivemos esta comu-nhão, o sangue de Jesus flui em nós, purificando-nos de todo o pecado. Somos participantes de Sua natureza, de Sua vida, de Sua energia vital. Mas se nos separamos do Corpo, perdemos tudo isso, e aos poucos, morremos.
A Igreja primitiva entendia isso perfeitamente, e buscava viver essa unidade. Era, realmente, uma comunidade cristã. Em Atos encontramos um testemunho disso. Ali lemos que “todos os que criam estavam juntos e tinham tudo em comum”(At.2:44).
E mais:

“Era um o coração e a alma da multidão dos que criam, e ninguém dizia que coisa alguma do que possuía era sua própria, mas todas as coisas lhes eram comuns.” ATOS 4:32.

Não era à toa que Paula chamava a Igreja de FAMÍLIA DA FÉ. Não era algo forçado, mas produzido pelo Espírito Santo no coração daqueles que tinham comunhão com Cristo Jesus.
Hoje em dia, as pessoas estão totalmente voltadas para si mesmas, e não conseguem compreender o que seja a comunhão entre irmãos. Até mesmo dentro das famílias não há mais união. Isto tudo é produzido pelo espírito do mundo, que leva as pessoas a viverem só para si mesmas, sem se importarem com ninguém mais. E este tipo de postura tem produzido uma sociedade cínica, sem es-crúpulos, e sobretudo, sem amor.
Não devemos pensar que este egoísmo que predomina no mundo seja algo recente. Ele é inerente ao próprio ser humano. O homem é egoísta por natureza. Já no tempo de Paulo havia este tipo de postura, como podemos notar na seguinte denúncia feita pelo apóstolo:

“A ninguém tenho de igual sentimento, que sinceramente cuido do vosso bem-estar. Pois todos buscam o que é seu, e não o que é de Cristo Jesus.” FILIPENSES 2:20-21.

O espírito do mundo ainda é o mesmo. Ninguém está preocupado com o bem-estar de quem quer que seja. A menos que seja por interesse próprio. Como diz o adágio popular, é cada um por si, e Deus por todos.
Porém Deus não pode ser por uma sociedade onde cada um é por si. A bênção do Senhor só se manifesta plenamente onde há união e comunhão (ver Salmo 133).
Escrevendo ainda aos Filipenses, o apóstolo diz:

“Portanto, se há algum conforto em Cristo, se alguma consolação de amor, se alguma COMUNHÃO NO ESPÍRITO, se alguns entranháveis afetos e compaixões, completai a minha alegria, para que tenhais o mesmo modo de pensar, tendo o mesmo amor, o mesmo ânimo, pensando a mesma coisa.”
FILIPENSES 2: 1-2.

O que há em Cristo é pra ser compartilhado entre os irmãos. Se há conforto em Cristo, ele deve ser usufruído por toda a família da fé. Se há consolação de amor, ela deve ser partilhada entre nós. E isso só é possível quando temos o mesmo modo de pensar, o mesmo amor, o mesmo ânimo, a mesma fé, o mesmo Espírito.
Quando vivemos esta comunhão, já não fazemos nada motivados por contenda, como quem deseja provar alguma coisa a outrem. Por isso Paulo complementa: “Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade, cada um considere os outros superiores a si mesmo” (v.3). Nossas motivações são outras, entre as quais, o bem comum. E mais: “Não atente cada um somente para o que é seu, mas cada qual também para o que é dos outros” (v.4). Aqui, Paulo diferiu um golpe no egoísmo predominante no mundo.
Diante de tudo o que lemos até aqui, deveríamos fazer uma avaliação sincera de nossa postura para com a Igreja de Cristo. Será que temos vivemos este tipo de comunhão? Ou será que estamos na Igreja por motivos egoístas.
Sabe por quê muita gente vem a Igreja, recebe uma bênção, e vai embora? Porque não integrou-se à comunhão dos santos. Estava na Igreja apenas visando o seu próprio bem-estar.
Quando uma pessoa não busca comungar com os irmãos, ela se torna uma pessoa vazia, oca, e fraca.
Nossa força espiritual depende muito da comunhão que desen-volvemos com Cristo, através da comunhão que temos com o Seu Corpo.
Por isso, o escritor sagrado insiste em que não deixemos de “congregar-nos, como é costume de alguns” (Hb.10:25).
O que deve nos motivar a vir à Igreja não é a busca por solução de problemas, e sim a comunhão com os nossos irmãos. Desta maneira, compreendemos que Deus nos chama a dar, a oferecer, e não apenas a receber. Devemos vir à Igreja com o intuito de oferecer o que temos recebido de Deus. Se assim o fizermos, Deus sempre terá prazer em nos dar mais e mais.

3 comentários:

Anônimo disse...

muito boa a mensagem uma das melhores se não for a melhor que ja li sobre Comunhao.



Wellingto alves

leria disse...

Realmente é uma mensagem excelente sobre o assunto comunhão,mas se puder me responda algo:o que devo fazer quando busco algum irmão da igreja onde congrego para que me preste um auxílio para um membro de minha casa ou para mim mesma, digo algo emocional e espiritual, nada material;e nem o pastor da igreja,que por sinal vive pregando exatamente o que vc escreve,dá importancia a sua dor? qual é a atitude de comunhão nesse ato? O que fazer qdo. por estar com problemas emocionais e espirituais vc é chamado de "crente problemático ou bicudo" ou ainda ser visto como alguem que está sendo castigado por Deus ?Devemos insistir em continuar nessa congregação? Isso é sinal de comunhão? O discurso na pratica é outro. Tens alguma dica? Obrigada. Alvorecer.

leria disse...

Quando digo que o discurso na prática é outro não estou questionando o que vc escreveu,nem sendo ironica,pois como disse está excelente e correto biblicamente.O fato é que tudo o que aprendi parece um engano. Desculpe qualquer coisa. Paz.